África do Sul

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De regresso a Angola, depois dos estudos completados, desloquei-me à África do Sul várias vezes. Aproveitei sempre para fazer os meus passeios, revisitando lugares e conhecendo outros... Foi assim que conheci a região de Franschhoek, Paarl e Worcester. A minha visita aconteceu pouco depois de ter havido ali um tremor de terra. Para lá se chegar, temos de passar pelo Du Toits Kloof Pass, uma região famosa pelo aspecto grandioso derivado da formação espectacular das suas montanhas. Pois, naquela altura, o seu aspecto era ainda mais impressionante, como se um gigante tivesse andado a revolver as pedras e as tivesse depois atirado novamente ao chão, com violência...

Franschhoek (que na língua afrikaans quer dizer qualquer coisa como "o lugar dos franceses"), por outro lado, marcou-me como evangélica que sou. Este foi um dos muitos locais escolhidos pelos Huguenotes quando abandonaram a França e se espalharam pelo pelo mundo afora, fugindo às perseguições a que foram sujeitos naquele país, em consequência de professarem o protestantismo. Trouxeram os seus hábitos de vida para aquela região africana. Foi assim que a uva começou a ser cultivada na Província do Cabo e, consequentemente, produzido o vinho que mais tarde ganhou fama.

Em 1975, a África do Sul foi também o destino que escolhemos supondo que, estando próximos de Angola, rapidamente e com facilidade regressaríamos à nossa terra.

Johannesburg e Pretória: 1975

Dessa vez, porém, optámos por ir para Johannesburg. Lá estavam os meu amigos de infância de Moçâmedes, o Jajão Pimentel Teixeira e o Ventura e respectivas famílias... este último foi também meu colega no Helderberg College...

... a família Moreira, que conheci numa viagem a caminho da Cidade do Cabo. Portugueses de nacionalidade, tinham vivido em Marrocos, onde os seus filhos nasceram. Daí foram para Angola e, finalmente, fixaram-se na África do Sul. A sua experiência de vida, a grande afinidade de ideias, fez crescer uma amizade que nos confortou, acompanhou...

Fizemos novas amizades. Relembro com carinho e gratidão o apoio que a família Macedo, de origem madeirense, nos deu e também a outros, provenientes de Angola. Chegaram a alojar alguns nas suas quintas e organizavam saborosos churrascos aos domingos... os angolanos eram a maioria... O meu Pai, começou a ajudá-los na contabilidade da sua loja de produtos alimentares e acabou se tornando seu funcionário e garantiu assim o ganha-pão.

Jamais esquecerei a família Paiva... também ele madeirense, ela uma trasmontana que, como professora, leccionou na Humpata, Huíla, Angola, de que se apaixonou e, por inerência, gostava de todos quantos lá nasceram... o meu Pai nasceu lá... Não fomos os únicos beneficiados pela sua generosidade porque acompanhei de perto o que fizeram para ajudar quem precisasse, naqueles primeiros tempos de tantas dificuldades.

Embora a preocupação principal fosse refazer a nossa vida, tentámos conhecer melhor a cidade e as redondezas. A cidade, longe do mar a que estávamos habituados, tinha criado locais de lazer acessíveis. Preferíamos os que nos ofereciam espaço... bastante ar livre... Posso garantir, sem sombra de dúvida, que o nosso local de eleição era a fonte luminosa, a Wemmer Pan. Inicialmente tinha sido uma mina de ouro que, às tantas, foi desactivada e a cavidade inundada de água. Surgiu, então, a ideia de montar-se ali um espectáculo... gratuito!!!... para entretenimento da população. Em poucas palavras, tratava-se de uma fonte musical luminosa, cujos jactos de água, ao som de música clássica, tomavam formas e cores variadas...

A plateia acomodava-se na relva que circundava o lago... nas noites de verão era uma delícia! mas, como nos tornámos habitués, até nas noites geladas e de vento forte, se sentíamos vontade de ir até lá, não hesitávamos e aguentávamos com valentia as agruras do tempo, só para usufruir de uns momentos que nos traziam de volta para casa com o coração aquietado pelo belo espectáculo a que tínhamos assistido...

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