Campos de Jordão
Naquele recomeço de vida, os angolanos que se fixaram em São Paulo reuniam-se periodicamente.
A finalidade principal era a entre ajuda. Quando a vida se tornou mais estável, reuníamo-nos
de vez em quando e organizávamos um jantar, oportunidade para confraternizarmos... Nas
primeiras passagens de ano, conseguimos, até, contactar músicos que tinham tocado em Angola e
sabiam, portanto, como é uma passagem de ano à nossa moda... Formou-se um conjunto para a
noite de reveillon. Ao toque das 12 badaladas, atacava-se o merengue e não se parava
por uma hora ou mais, tal como fazíamos em Angola. Havia quem dançasse chorando...
Até que um dia surgiu a ideia de fazermos uma excursão e escolheu-se Campos de Jordão. Esta
cidade situa-se no Estado de São Paulo e é conhecida pela Suíça brasileira. É mais frequentada
no Inverno paulistano. Pelos óptimos festivais e ”workshops” de música que aí se
realizam. Pelas muitas e variadas indústrias de vestuário de lã, de boa qualidade.
No entanto, a sua beleza paisagística atrai turistas em qualquer época do ano.
Para uma melhor descrição da cidade, remeto-me a “Roteiros Turísticos Brasil – Fiat”, do jornal
“Folha de São Paulo”, edição de 1995:
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Chique, esnobe e gelada. Alpes paulistas, Campos imita ares europeus em tudo: arquitetura germânica, florestas e bosques de araucárias nas montanhas, plátanos nas ruas, concertos de música clássica nas noites de inverno. Obras de arte se multiplicam em pinacotecas, e há exposição de esculturas sob estrelas e pores-do-sol vermelhos. A São Paulo que pode sobe a serra no inverno e faz ponto nos cafés e restaurantes em Vila Capivari, o bairro mais charmoso, nesta que já foi estação de tratamento de tuberculosos e inspirou artistas que iam se curar na cidade, como o teatrólogo Nelson Rodrigues, os escritores Dinah de Queiroz – que escreveu “Floradas na Serra” -, Monteiro Lobato e Manuel Bandeira, além de Lasar Segall, que aqui pintou suas florestas. |
Nessa altura, muitos de nós tínhamos já feito amizade com brasileiros. Convidei colegas meus a juntarem-se a nós. Na viagem, trocaram-se ensinamentos... de passos de dança angolana e brasileira... de troca de vivências, de perguntas e respostas sobre o nosso país de acolhimento... Aprendemos todos. As primeiras 4 fotos que insiro mostram a boa disposição que reinou; as 4 seguintes dão uma ideia da cidade no ido ano de 1978.
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