A Casa de Mossâmedes
Perguntar-me-ão por que razão escrevo Mossâmedes com dois esses, quando o conheci e lá vivi com
cê cedilhado? Porque sempre gostei mais dessa ortografia. Depois... quando os meus antepassados
lá se fixaram, era assim que se escrevia. Vou, pois, dar-me o prazer de chamar Mossâmedes à
hoje denominada cidade do Namibe.
Ao certo, não sei quando é que os meus Bisavós paternos se fixaram em Mossâmedes.
O início da colonização desta cidade teve lugar no reinado de D. Maria II. Os luso-brasileiros,
provenientes de Pernambuco, tinham ali aportado em 1849, quatro décadas antes do nascimento da
Avó Aida. É, portanto, provável que a família Ferrão Pimentel, assim como os seus primos Sena,
ambos vindos de Olhão, no Algarve, se tenham fixado naquela cidade no decorrer da década de
80 do século XIX.
Quando o meu Pai foi transferido para a Fazenda (hoje Finanças) de Mossâmedes não havia casas
para alugar e fomos para a casa da família. Suponho que, naquela época, ela já teria por volta
de 30-40 anos, senão um pouco mais.
Eu tinha então 6 meses. São daquela casa as minhas primeiras recordações. Foi ali que
brinquei as minhas primeiras brincadeiras de criança e ela fez também parte da minha vida de
adolescente.
A residência em si tinha o formato de "U" e a porta principal, na base do "U", era de madeira de
jacarandá, proveniente do Brasil (a nossa ligação com aquele país começou cedo, como se vê!...).
Quando comecei a preparar este trabalho, em "Word", em meados de 1999, desenhei uma espécie de
planta baixa da casa. Modéstia à parte, devo ter errado por pouco!
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Na parte interior do "U" havia 3 escadarias que davam acesso ao quintal. À nossa esquerda, entre várias pequenas dependências, destaco o quarto de costura onde faleceu a Bisavó Soledade. Como a sua morte foi repentina, diziam que, muitas vezes, se ouvia a máquina de costura a trabalhar e que era a Bisavó a costurar...
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