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Recortei o texto que transcrevi de um jornal brasileiro. Foi por volta 21 de Abril de 1981, quando
a Unesco conferiu a Ouro Preto o título de Património Cultural da Humanidade, e retrata sucinta,
mas fielmente, a trajectória histórica de Vila Rica... Ouro Preto, no mítico Estado de Minas Gerais.
Pouco tempo depois de ter chegado ao Brasil, os sentimentos magoados, comecei a conhecer melhor a
figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, o mártir da independência do Brasil. Curiosa,
quis saber mais... afinal, ele sonhou o grande sonho da libertação do Brasil e pagou com a morte na
forca, considerada na época “morte natural”, conforme se lê no atestado de óbito... era o
conceito da época...
Até ali, o que sabia sobre a Inconfidência Mineira estava ligado à minha cidade natal, Benguela: como
se sabe, alguns dos seus companheiros foram enviados para o degredo nas antigas colónias portuguesas
de Angola, Cabo Verde e Moçambique, além de Portugal. Para este último foram na maioria mandados os
padres que fizeram parte do grupo dos conspiradores. Para Angola seguiram Francisco António de Oliveira
Lopes (f.Benguela; José Álvares Maciel (f. Massangano), Inácio José de Alvarenga Peixoto (f. Ambaca),
Luiz Vaz de Toledo Pisa (f. Cambambe), Domingos de Abreu Vieira (f. Muxima), Francisco de Paula Freire
de Andrade (f. Luanda).
É interessante notar que as sentenças contra os réus eclesiásticos – “Autos Crimes – Juízo da Comissão
Contra os Réus Eclesiásticos da Conjuração Formada em Minas Gera8s. 1791” - foram mantidos em segredo,
por determinação da rainha D. Maria I e assim se mantiveram até 1950, quando o historiador português
Ernesto Ennes as localizou na biblioteca dos descendentes do Conde de Galveas. Foram publicadas no III
Anuário do Museu da Inconfidência. Em 1980, os originais foram entregues ao Museu.
Em 1942 aconteceu a inauguração do Panteão, no Museu da Inconfidência, para onde foram transferidos os
despojos dos inconfidentes mortos no exílio em África. De salientar que tinham então decorrido 150 anos
desde que tinha sido proferida a sentença contra os réus da Inconfidência.
Francisco António de Oliveira Lopes, sepultado na Igreja Matriz de N.S. do Pópulo, Benguela, Angola,
foi trasladado para Ouro Preto em meados do séc. XX, assim como os seus companheiros de degrego, uma
consequência do acordo dos governos brasileiro e português – mais do que justo. O meu Avô, Álvaro
Guimarães, funcionário do governo civil de Benguela, representou o governo português nessa cerimónia.
Havia recortes de jornais da época, que incluíam fotografias. Perderam-se, como tantos outros documentos
importantes...
Quando me foi possível ir até às Cidades Históricas, não hesitei! Foi a oportunidade de visitar as várias
cidades, museus vivos de uma época da História comum ao Brasil, Portugal e Angola, também.
Ali, a arte aglomera-se nas suas facetas diversas. A paisagem, com o verde luxuriante brasileiro, recorda-nos
todavia a portuguesa, porque segue o seu estilo de construção, porém com as nuances que o novo país em embrião
já inseria, na arquitectura, pintura e escultura. Não podemos deixar de nos lembrar de Milton Nascimento que,
em “Evocação das Montanhas”, celebra o que se sente quando se vêem as montanhas, que são fantásticos amontoados
de pedras de ferro no seu estado bruto.
Passear pelas ruas acidentadas de Ouro Preto, São João del Rey, Sabará, ou pela plana Tiradentes, onde o herói
estudou dos 9 aos 15 anos e que mais tarde adoptou o seu nome (no seu tempo, chamava-se “São José do Rio das
Mortes”), vivendo em cada esquina a sua vida... subir as escadarias de Congonhas e admirar as obras de
Aleijadinho... do Mestre Ataíde... e também Cordisburgo, terra natal do escritor Guimarães Rosa, foi uma
experiência que valeu a pena viver.
Copyright © Aida Maria de Abreu Saiago
Bibliografia
Artigo de autoria de Isabel Sampaio in Jornal “Estado de S. Paulo”, de 18 de Abril de 1989.
“O Museu da Inconfidência”, Copyright © Banco Safra S.A. (1995).
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