Os Bisavós Madeirenses

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Como mencionei na Introdução, não é minha intenção fazer um relato pormenorizado da ida do primeiro grupo de madeirenses, enviados pelo governo português, com a finalidade de povoarem o planalto da Huíla, no que toca a datas e outros factos históricos. Há vários sites, que menciono em "Links", que o fazem com muita competência. Porém, há determinados dados que ainda não foram referidos e que gostaria de citar:

Apesar das garantias inicialmente dadas pelo governo português, as famílias que seguiram para Angola, uma vez chegadas a Mossâmedes (como na época se escrevia), desembarcaram ali sem que lhes fossem proporcionadas as condições mínimas para que transpusessem com alguma facilidade, tendo em consideração as limitações da época, a cordilheira da Chela, para alcançarem o seu destino final.

As condições em que o percurso foi realizado foram de tal ordem desumanas que houve os que não resistiram. Foi o que aconteceu com os dois filhos menores dos meus Bisavós, o Manuel e o João, ambos nascidos na Ilha da Madeira, que pereceram no percurso.

Fome e sede foram uma constante. A minha Avó Júlia, quando se referia a este assunto, contava-me que, a certa altura, os seus Pais e restantes viajantes depararam-se com uma nascente que lhes saciou a sede. A água rojava de uma pedra. Os madeirenses apelidaram-na de "a pedra da Providência"...

A rudeza do percurso e as suas consequências devem ser lembradas. Foi com o sacrifício daqueles primeiros que também se escreveu a História da Huíla.

Estes madeirenses, a seu tempo, comunicaram aos que tinham deixado na Ilha da Madeira que o apoio prometido não se tinha concretizado. Em consequência, foi difícil ao governo português conseguir quem mais aceitasse seguir para Angola.

Mas era imperativo povoar o planalto da Huíla. Se não havia voluntários, houve que encontrar outra forma de enviar para lá gente. Assim, realizaram-se rusgas*, na Ilha da Madeira, e foi deste modo que muitos madeirenses foram para Angola. Contribuíram "à força" para o que o governo português se tinha proposto!

Quanto aos meus Bisavós, o António Rodrigues, o "Brunido", e Claudina da Costa, reconstituíram a sua família em Angola: foram dez os filhos que tiveram, todos nascidos no Lubango.

Ele era pedreiro. Ela era alfaiate, isto é, costureira de roupa masculina.

Quando comecei a preparar este trabalho, tentei recolher mais informações sobre o meu Bisavô. Uma tarefa difícil porquanto se, por um lado, os maisvelhos não o conheceram e, portanto, pouco me têm ajudado nesse sentido, por outro, o que guardei dos relatos da minha Avó Júlia e da minha Mãe pouco é, também.

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