Os Bisavós Madeirenses

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Ao certo, o que chegou até aos dias de hoje foi a sua grande característica, que era a de andar sempre muito bem arranjado, nunca descuidando do seu aspecto. Isso granjeou-lhe a alcunha, ou apelido, de "o brunidinho" (informação que me foi passada pelo seu neto, Rui Augusto da Costa Rodrigues, mais conhecido por Rui Brunido). Posteriormente, a alcunha foi alterada para "brunido". E de tal modo se divulgou que, a páginas tantas, os Rodrigues já eram Brunido e, assim, surgiu um novo sobrenome!

Há, porém, um facto interessantíssimo, que é do conhecimento dos maisvelhos e que agora tive o cuidado de confirmar: um belo dia, o Bisavô, que gozava de boa saúde, acordou e anunciou que iria morrer nesse dia. Tomou o seu banho, preparou-se, pôs a sua melhor roupa, deitou-se na cama e... entregou a alma ao Criador!!! Privilégio que a poucos cabe... Foi em finais de 1912, princípios de 1913, porquanto ele faleceu pouco tempo antes de nascer o seu filho mais novo, Luiz.

A minha Mãe, que conheceu a sua Avó Claudina, comentava que ela não tinha sotaque madeirense. Este facto foi-me agora confirmado por alguns membros da família Roque, filhos da sua filha Beatriz, em casa de quem permaneceu, já idosa, até falecer, pelos meus cálculos, no final dos anos 30.

A Bisavó Claudina, já velhinha.



De facto, ela era, de todo aquele grupo que fundou o Lubango, a única pessoa letrada. Na Ilha da Madeira tinha deixado uma irmã professora. Tinham, portanto, alguma instrução, o que é notável se tivermos em conta que se tratavam de pessoas do sexo feminino.

Era a ela que os madeirenses fundadores recorriam para que lesse as cartas que chegavam da Madeira. Era ela que escrevia as cartas de todos, com destino à Madeira. Uma espécie de escriba do grupo...

A Mãe Lola e todos quantos a conheceram, descrevem-na como uma pessoa bonita, muito doce, carinhosa. Alegre, gostava de cantar e, garantem-me os
que a conheceram, tinha uma boa voz... As suas quadras eram habilmente compostas num piscar de olhos, adequando-se à personagem visada ou à situação do momento...

A única foto que consegui resgatar desta minha Bisavó é a que apresento. Foi tirada à porta da casa da família Roque de Freitas, no Cutato, Bela Vista. Não está nítida, mas é a homenagem que posso prestar-lhe.



Gostaria de dispor de mais informações acerca destes meus Bisavós. Mas se isso não acontecer, terei do mesmo modo o sentimento de "missão cumprida" porquanto deixo aqui registados os dados que me foram transmitidos sobre como decorreu o início de vida daquele grupo de madeirenses, que enfrentaram condições extremamente adversas para chegarem ao seu destino final: o planalto da Huíla.

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