Os 2 Pais da Mãe Lola

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Por circunstâncias da vida, acontece muitas vezes que uma criança, tem mais de um pai, mais de uma mãe. A minha Mãe teve dois pais. Porque quero falar sobre isso? Porque ela teve o privilégio de ter dois pais que a amaram muito.

O primeiro, obviamente, o seu Pai biológico, José Ferreira d'Abreu, que morreu quando tinha somente 25 anos de idade e a sua filha somente 12 dias de vida.

O segundo, o seu padrasto, Álvaro da Cruz Guimarães, que a amou como se sua filha fosse.

O Avô José Ferreira d'Abreu nasceu na Guarda, Portugal. Durante a I Guerra Mundial, ele fez parte do contingente de militares portugueses que foi enviado para Angola a fim de combater os alemães que, a partir do então Sudoeste Africano (hoje Namíbia), tentaram apoderar-se daquele país.

A sua base foi o Lubango, onde conheceu Júlia Rodrigues, a 6ª filha do casal António e Claudina, com quem casou.

Num dos combates com as tropas alemãs, estes levaram a melhor e a mortandade entre os portugueses foi tremenda! Os portugueses abatidos eram despojados das suas roupas e os seus corpos empilhados. O meu Avô fingiu-se de morto e deixou-se ficar junto aos seus camaradas falecidos. Mas os alemães tinham por hábito, a fim de terem a certeza de que os portugueses estavam realmente mortos, dar o golpe de misericórdia: uma pancada contundente na cabeça!

José Ferreira d'Abreu, ao ser violentamente agredido na cabeça, desmaiou e assim ficou horas. Quando acordou, a noite ia alta e à sua volta não havia um único ser vivente! A roupa tinha-lhe também sido retirada...

Correu, ferido e quase nu, até que encontrou as tropas portuguesas que faziam o apoio logístico. Desse grupo fazia parte José Roque de Freitas, que foi o marido de Beatriz, uma outra filha dos meus Bisavós. Foi ele que relatou estes factos a seus filhos. Fernando Roque reproduziu-mos.

Como consequência da pancada, o meu Avô ficou gravemente doente e foi decidido que deveria voltar para Portugal.

A sua mulher, com 16 anos, estava grávida.

Embarcaram em Mossâmedes no navio "África". Porém, em consequência da guerra, o navio ficou vários meses retido no porto de Luanda. A gestação, essa, continuava o seu ritmo normal... Quando, finalmente, o "África" recomeçou a sua viagem com destino a Lisboa, aproximava-se a hora do nascimento da criança.

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