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Como mencionei na introdução às crónicas, "Imitando o Guardador da Palavra", o ramo Saiago (ou
Sayago) tem uma só origem: Vila Nova de Foz Côa, no Norte de Portugal. Não subsistem dúvidas:
onde quer que nos conheçamos, se a costela for de origem lusitana, somos parentes, embora seja
difícil deslindar os diversos ramos... muitos emigraram para Angola, outros para o Brasil,
multiplicámo-nos...
Os mais curiosos e interessados na matéria tentaram investigar a origem do nome. Que viemos de
Espanha, é uma certeza. Mas, mais atrás, somos de origem judaica? Árabe?
Recentemente, a minha prima-direita Milena, filha do irmão mais velho do meu Pai, o Arnaldo,
que se licenciou em Germânicas pela Universidade de Coimbra, deu-me a explicação. Quando
estudante universitária, o seu Mestre de História de Portugal, o Professor Doutor Arnaut,
incentivou-a e auxiliou-a no estudo da origem do sobrenome Saiago:
Em Espanha, a poucos quilómetros de Miranda do Douro, entre os Rios Douro e Tormes, encontra-se
a região denominada "Tierras de Sayago" / "Bermillo de Sayago" (hppt://www.sayago.com/).
(Pena que, de há uns anos a esta parte, essas terras espanholas constituam uma ameaça para as
terras lusitanas do Douro e Alto-Douro, pela intenção de ali se instalar uma central nuclear
ou, então, uma lixeira de detritos nucleares. Diz-se que, se tal for levado a cabo, a textura
das rochas ali existentes não será suficiente para evitar que as terras do famoso vinho do Porto
venham a ser afectadas. Todos nós sabemos o que isso poderá significar para a região!)
Estávamos na Idade Média (alta I.M.) e a Espanha já estava romanizada, quando ali se impôs um
grande suserano de nome Sahagum. Com o tempo, o "h" intervocálico passou a "y" ( i ), o "m"
final, por apócope, caiu, e o "u", naturalmente, redundou num "o". O nome deveria ser grafado
com "y" e não com "i" latino.
Deduz-se, portanto, que descendemos de um rico senhor feudal ou, mais provavelmente, de um dos
servos da gleba que herdavam o nome do seu senhor...
Presentemente, há membros portugueses desta família que alteraram o nome para a ortografia
considerada correcta. Pessoalmente, ficarei com o que tenho. Foi o que me foi dado e, escrito
duma ou doutra maneira, compete a cada um de nós torná-lo um bom nome ou um mau nome.
Tal como na Alta Idade Média, em pleno século XX, em Angola, duas famílias de raça negra
adoptaram o nosso nome.
O primeiro caso teve lugar no Mungo, Província do Huambo, onde se fixou o primo do meu Pai, o
Agostinho Saiago.
Pois, o primo Agostinho teve um empregado que, quando (há mais de 50 anos) obteve a sua
documentação de identidade, não hesitou e ofereceu-se o sobrenome Saiago.
Assim, tão simplesmente!, surgiu uma família angolana de raça negra com o nosso sobrenome.