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Desafio irresistível, já que pensei sempre que a saga dos primeiros colonos do Lubango deveria ser dada a conhecer, pelo que dramático ela constituiu. Não que seja a única, nem a melhor, nem a pior, mas esta diz-nos respeito e devemos sentirmo-nos orgulhosos do que os nossos antepassados fizeram, pelo que passaram, para que chegássemos onde chegámos.

Não me refiro àquele orgulho cheio de soberba e empáfia de que fomos "os maiores, os únicos", mas orgulho porque, com erros e acertos, muita coisa se fez, se construiu, a maior parte das vezes com sacrifício e muita determinação.

Esta primeira parte do meu trabalho será dada a conhecer aos meus familiares descendentes do casal António Rodrigues e Claudina da Costa Rodrigues, a quem convido para que, querendo, contem as suas histórias de modo a que possamos compor um relato o mais completo possível do que foi a vida desta família, que se formou em Angola (já que os seus dois filhos nascidos na Ilha da Madeira, pereceram na caminhada entre Moçâmedes, hoje Namibe, e a chegada ao seu ponto de destino, o Lubango) e se transformou numa numerosa família.

Tão numerosa que me lembro de, quando pequena, ia com os meus Pais ao Lubango e era apresentada à família e repetidamente me diziam: "Este é teu primo... e esta também é tua prima...", resolvi a questão: pus de lado os nomes próprios e a todos chamava primos... primas. Mais prático...

Se houve aqueles com quem mantive desde sempre um contacto estreito, houve também os que conheci de raspão ou os que não conheci de todo. Depois... a família foi aumentando..., aconteceu a saída de Angola e espalhamo-nos pelo mundo. Mais difícil se tornou sabermos uns dos outros!

Gostaria muito que os meus familiares participassem neste projecto. Competirá aos que queiram fazê-lo completar o que aqui relato, e até corrigir-me, se for o caso!, acerca da família Rodrigues, que também é Brunido e que também é Rodrigues Brunido. Isto porque a alcunha de António Rodrigues, o "Brunido" (ele andava sempre muito bem arranjado, muito brunido...), acabou se transformando em nome de família!

Não deixarei, porém, de falar dos outros ramos da família.

Agora que me encontro a viver em Portugal, tem sido extremamente gratificante ir à descoberta dos Saiago, a única família portuguesa com este sobrenome, que é originária da mundialmente famosa Vila Nova de Foz Côa. Tal como os Brunidos, onde houver um Saiago português ou de origem portuguesa, ninguém tem dúvidas: somos parentes! Tenho-os encontrado, até, através da rede ICQ..., aqui..., no Brasil... todos temos a mesma origem...

Bom..., não é bem assim...

... quase toda a regra tem a sua excepção: há famílias angolanas, de raça negra, que, há algumas décadas atrás, adoptaram o nosso sobrenome. Essa é uma história que deixarei para contar mais adiante.

Não resisto à tentação de transcrever o que o Abade de Jazente escreveu:



"Qualquer homem como eu tem quatro avós.
Esses quatro, por força, dezasseis.
Sessenta e quatro a estes contareis
em só três gerações que expomos nós ( ... ).
Se um homem dá tanto cabedal,
dos descendentes seus, que farão mil?
Uma província?
Todo o Portugal?
(*)
Por esta conta, amigo, ou nobre ou vil,
sempre és parente do Marquês de Tal,
e também do porteiro Afonso Gil."


(*) No caso das nossas famílias: "o planeta Terra?"

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